Gota: quais alimentos ajudam a controlar o ácido úrico
Por Matheus Medeiros, Nutricionista Esportivo · CRN 6-27967 · Atualizado em 24 de setembro de 2026
Gota: quais alimentos ajudam a controlar o ácido úrico? A gota é uma forma de artrite causada pelo acúmulo de cristais de urato nas articulações, geralmente depois de períodos de ácido úrico alto. A alimentação influencia os níveis de ácido úrico, e ajustes simples podem reduzir o número de crises, mas o tratamento da gota é médico e a dieta é um apoio, e não uma cura.
Sou nutricionista esportivo em Natal, CRN 6-27967, e atendo pessoas com ácido úrico alto que chegam com uma lista confusa de proibições. Neste texto você vai entender o que é a gota, o que são as purinas, quais alimentos têm mais e menos purina, o papel do álcool e do açúcar, a importância da hidratação e do peso, o que a evidência diz sobre a cereja e como organizar as refeições.
O que é a gota e o ácido úrico
O ácido úrico é produzido quando o corpo degrada as purinas, substâncias presentes nas células e em alguns alimentos. Normalmente, ele é filtrado pelos rins e eliminado na urina. Quando o corpo produz demais ou elimina de menos, o ácido úrico sobe. Em algumas pessoas, os cristais se depositam nas articulações, provocando dor intensa, inchaço e vermelhidão, muitas vezes no dedão do pé.
Nem todo mundo com ácido úrico alto desenvolve gota, e nem toda gota vem só da alimentação. A genética, o funcionamento dos rins, o excesso de peso e alguns medicamentos têm papel importante. O diagnóstico e o tratamento cabem ao médico, geralmente reumatologista, que pode prescrever medicamentos para reduzir o ácido úrico e tratar as crises. Informações gerais estão na Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Alimentos com muita purina
Alguns alimentos concentram purinas e tendem a elevar o ácido úrico. Em geral, os de maior teor são as vísceras, como fígado, rim e miúdos, alguns peixes e frutos do mar, como sardinha, anchova e mariscos, e extratos de carne e caldos concentrados. A cerveja, mesmo sem grande teor de purina, é um dos maiores fatores de risco porque combina álcool e purinas de levedura.
Uma referência prática é reduzir bastante as vísceras, o excesso de carnes vermelhas e de frutos do mar, os caldos concentrados e as bebidas alcoólicas, principalmente cerveja e destilados. Não é necessário eliminar tudo, e o ajuste depende dos seus exames e da frequência das crises.
Alimentos com teor moderado
Carnes bovinas, suínas, aves, a maioria dos peixes e alguns vegetais, como espinafre, cogumelos, aspargos e leguminosas, têm teor moderado de purina. Estudos indicam que as purinas vegetais têm menos impacto sobre o risco de gota do que as de origem animal, e que leguminosas e vegetais não costumam precisar ser cortados. Em porções razoáveis, a maioria das pessoas pode incluí-los, com o acompanhamento dos exames.
Alimentos com pouca purina
- Laticínios, principalmente desnatados: leite, iogurte e queijos brancos parecem ter efeito protetor.
- Ovos: teor baixo, podem fazer parte da dieta.
- Frutas e verduras: a maioria tem poucas purinas, e as frutas trazem vitamina C.
- Cereais integrais, arroz, massas e pães: teor baixo.
- Oleaginosas e azeite: gorduras boas, com pouca purina.
Álcool, frutose e refrigerantes
O álcool aumenta a produção de ácido úrico e reduz sua eliminação pelos rins, e a cerveja é a mais associada a crises. Refrigerantes e sucos adoçados com frutose também elevam o ácido úrico, e o consumo frequente aumenta o risco de gota. Prefira água, água com gás e chás sem açúcar. Reduzir o álcool e as bebidas açucaradas costuma ser um dos ajustes mais eficazes.
Hidratação e peso corporal
Beber líquidos suficientes ajuda os rins a eliminar o ácido úrico. Uma meta comum é de 2 a 3 litros de líquidos por dia, ajustada por um profissional, principalmente em quem tem doença renal ou cardíaca. O excesso de peso aumenta o ácido úrico, e a perda gradual de peso reduz as crises. Evite dietas muito restritivas e jejuns prolongados, que podem elevar o ácido úrico e desencadear crises. O emagrecimento deve ser gradual.
Cereja, vitamina C e outros mitos
Estudos observacionais e alguns ensaios sugerem que a cereja e o suco de cereja podem reduzir o risco de crises, mas a evidência é limitada e os efeitos são modestos. Não substituem o tratamento. A vitamina C em doses moderadas pode ter pequeno efeito na redução do ácido úrico, sem substituir o tratamento médico. Suplementos e chás “que eliminam ácido úrico” raramente têm comprovação, e não devem ser usados no lugar dos medicamentos.
Como organizar as refeições
Uma alimentação prática para quem tem ácido úrico alto inclui laticínios magros, ovos, frutas, verduras e legumes, grãos integrais e carnes em porções moderadas, com preferência por aves e peixes com menos purina. Reduza vísceras, frutos do mar em excesso e embutidos. Cozinhe carnes e descarte o caldo, quando possível, porque parte das purinas passa para o líquido. Veja também o texto sobre quantas calorias comer por dia para emagrecer, que ajuda a planejar a perda de peso gradual.
Um exemplo de dia
Café da manhã com iogurte desnatado, aveia e frutas. Lanche com queijo branco e uma fruta. Almoço com arroz, feijão em porção moderada, filé de frango grelhado e salada. Lanche da tarde com castanhas e uma fruta. Jantar com omelete de legumes e batata cozida. Ao longo do dia, água em quantidade suficiente. Esse é um exemplo, e o plano individual deve considerar os exames, as doenças associadas e os medicamentos em uso.
Tabela prática de purinas
Como referência, e sem substituir a orientação individual, os alimentos podem ser agrupados assim. Alto teor: fígado, rim, coração, miúdos, sardinha, anchova, arenque, mariscos, caldos de carne e extratos. Teor moderado: carne bovina, suína, cordeiro, frango, peru, a maioria dos peixes e frutos do mar, feijão, lentilha, ervilha, espinafre e cogumelos. Baixo teor: leite, iogurte, queijos, ovos, frutas, a maioria dos legumes, arroz, massas, pães, cereais, oleaginosas e azeite. Os valores exatos variam por fonte, e o que mais importa é o padrão geral da alimentação, e não um alimento isolado.
Quanto de proteína e como equilibrar
Quem tem ácido úrico alto não precisa fugir de proteína. Prefira fontes de baixa purina, como laticínios magros e ovos, e distribua carnes magras e peixes em porções moderadas, sem excessos. Leguminosas e vegetais ricos em purinas não parecem aumentar o risco de gota como as carnes, e podem ser incluídos. Um plano bem equilibrado mantém a massa muscular e o controle do peso, que ajudam a reduzir o ácido úrico.
Sinais para procurar o médico
Dor súbita e intensa em uma articulação, com inchaço e vermelhidão, febre, ou sintomas de crises repetidas exigem avaliação médica. Também procure o médico se houver cálculo renal, pressão alta ou doença renal associadas, porque elas influenciam a conduta. Não interrompa medicamentos por conta própria e não use anti-inflamatórios sem orientação, principalmente se tiver problemas nos rins ou no estômago.
Também vale acompanhar os exames com regularidade. O objetivo do tratamento costuma ser manter o ácido úrico abaixo de um valor definido pelo médico, e a dieta ajuda, mas raramente basta sozinha em quem tem gota estabelecida. Anote as crises, os alimentos e as bebidas que as antecederam, porque esse registro ajuda o médico e o nutricionista a identificar os seus gatilhos pessoais.
Acompanhamento nutricional
Como nutricionista, CRN 6-27967, ajusto a alimentação ao seu ácido úrico, ao seu peso e à sua rotina, em conjunto com o seu médico. Se você quer reduzir o risco de crises com um plano viável, faça sua triagem nutricional e vamos avaliar o seu caso.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica ou nutricional individualizada.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação nutricional individualizada.